quinta-feira, 3 de junho de 2010

Elementos

Meus pensamentos me perseguem
São vícios encrostados na pele
como pura sensação
pura ilusão
de ter você comigo
sempre
quando respiro.
Acordo sozinha na cama
ou em outras camas
com alguém outro
de mim
e de você.
Vou em direção ao desconhecido.
Fecho os olhos para não viver a minha realidade.
Na escuridão, eu me sinto
e nela eu te encontro.
Você, caminhando em minha direção
passando por mim
sem me tocar
meu coração pulsando
com medo de demonstrar tudo o que eu sinto
tudo que eu quero.
Você me olha e eu não sei o porquê.
Água.
Cada momento
da sua voz
é um tempo infinito
de um espaço nã0-vazio
que não quero
sair.
Fogo.
Respiro.
Alguém está me vendo, com esse sorriso
de alguém que descobriu a sua infância?
Tenho vergonha.
Sou casulo, você, fortaleza.
Sou incerteza.
Achei o tesouro e não sei o que faço.
Venha. Eu te chamei. E você, fortaleza veio.
Encontro.
Pra me dizer adeus?
Não.
Você não é jogo, não entende?
Pensei, mas não falei.
Ar.
Respiro.
Estou apaixonada, não vê?
Tantas pessoas
tantas passaram por mim
peça para eu ficar.
Terra.
Você não disse.
Passei.
Agora, vivo novo vazio
com você,meu pensamento
encrostado embaixo da minha pele
ardendo.
Eu fui ar e fogo
você terra e fogo.
Eu passei. Você ficou.
Temos na distância
a chama que nos cicatriza.

domingo, 30 de maio de 2010

Ilha desconhecida

O mar brota da ilha desconhecida.
As ondas despertam o novo viajante.
Rema, rema marinheiro
que a tua ilha está chegando.
Penetra em suas terras ocultas
delira no espaço desconhecido
que hoje é só seu.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Olímpio


Acordo. O que se reproduz dentro da minha escuridão é a minha ânsia de libertação. Preciso fumar, sem ninguém me olhar. O desejo avança e a preguiça latente na minha cama, se esvai pela luxúria da dependência.
O que é criticado é o que me move, infelizmente.
Não sei se pelo vício ou pelo julgamento, tudo isso me cansa.
Levanto-me enquanto os outros dormem. A cidade está nascendo tão cinza quanto meus pulmões.
O cimento dos prédios são as manias dos homens em se meter em natureza alheia.
Sozinha contemplo aquela beleza do Sol dissimulante em delírios de gigantes palácios aonde as formigas se rastejam por ruelas esvoaçadas.
Vivo o meu Olímpio.
Ai, a luxúria não me acordou do sonho.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Saída

As mesmas coisas de sempre
passam na televisão:calamidades, choros, mortes e sofrimento.
O tempo passa e as minhas percepções sobre esse assuntos
vão mudando e se movendo
como batidas de asas ao vento.
Cansa não ser mais a mesma.
Ser infiltrada por uma carga de novas informações
novas manipulações
novos conhecimentos.
A criança cresceu com saudades.
Quando mudamos sem percebermos?
Nunca imaginei que atitudes tinham tamanha consequencia.
Em algum momento me falaram.
Em algum momento eu ouvi.
Mas não sei porque ainda,hoje, me surpreendo.
Mais uma morte vejo agora.
E não tem nada a ver com corpos deixados na estrada
após um desabamento.
A morte homeopática
cresce da esperança que vai se esvaindo
facilmente pelo ralo.
As mesmas coisas de sempre.
As mesmas desculpas.
A necessidade que se tornou irresponsabilidade.
Ai, que frase falada com facilidade.
Frase que circunda e se espalha sem dor, sem sofrimento, sem morte, sem nada.
Desculpas.
Quantas desculpas.
E do outro lado quanto medo.
Não foi culpa sua. Você fez tudo o que podia.
Vozes saídas do povo para aqueles que morreram hoje, ao ter a chance de viver novamente,agora sozinho.
E do outro lado, se pergunta sobre as máquinas, sobre nossa tecnologia de ponta
que vai além de Marte.
Sem respostas.
Silêncio ou baboseiras.
Ninguém fala realmente uma resposta.
Mas respostas não vão preencher o vazio que se encontra caminhando pelos abrigos.
E há ainda quem diz que a culpa é da necessidade que se tornou irresponsabilidade.
Outros perguntam e oram para "aquele" que Nitzsche tentou matar um dia.
Não morreu, eu respondo.
Não pela catástrofe que ocorreu.
Não morreu, porque ainda precisamos de respostas que o homem não consegue dá.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Resposta

Ontem, o Sol nasceu verde
e o céu ficou da cor
das matas
mescladas
entre o claro e o escuro.
O mar saboreava as ondas
e as ondas
ameaçavam a areia.
Meus passos filtravam as cinzas
que de mim
iam caindo.
E o olhar ouvia a música
do fenômeno
e nos ouvidos
só tinham o meu silêncio, meu pensamentos, meus desejos...
A solidão me combina
amizade preterida
entre os outros.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Onda

Eu cresci e tudo mudou.
Meus amores mudaram
meu "eu" era seu
e hoje
eu não me esqueço.

Eu cresci e ainda continuo pequena.
Grande cólica que não passa
hoje me livrei te ti
com pílulas.

Tudo é uma questão de tempo
tempo que xinguei
e hoje
eu o batizo
meu amigo.

As ondas passaram
as ondas marcaram
lembro-me do meu primeiro amor
e como passo por ele
só com um sorriso.

Meu coração boiou.

Eu amei.
Eu amava.
Eu ainda amo
respiração ofegante
num corpo deixando-se suave.

Antes eu gritava
faria tudo para estar contigo.
Hoje, eu faço tudo
pra me sentir comigo.

Não me esqueço mais
me entrego ainda
para quem nada devo, nada ofereço
além de um momento.

Pois, eu cresci
e aprendi
não posso entregar
meu coração
meus pensamentos
a mim, eles nunca perteceram.
Posso entregar o que sou
dentro de um estou
posso entregar meus momentos
pois a mim
não me interessa o amor
palavra parada
me interessa amar
em ondas suaves
e de tormenta.

Os pensamentos repletos
ficam boiando
no mar
aonde alguém...

Alguém mergulhou
o coração pulsou
minha pele suou
e meus movimentos
são todos desejos.

Ainda sou pequena
no seu colo
no seu abraço
no seu ouvido
mergulha mais
pra eu ficar te sentindo
enquanto a onda vem vindo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Coragem

É preciso não ter medo de colocar um ponto final, para poder continuar.
As coisas mudam e nós mudamos.
Hoje, somos dois estranhos.
Os dias vieram e nas tardes sagradas
encontravámos o elo
dos nossos contrastes.
As diferenças eram brincadeiras
e as semelhanças nossos segredos
nossos encontros
nossos papos
trocas e liberdade.
Tudo ficou em algum lugar
que não vemos mais
que não somos mais.
Somos outros estando junto.
Encontro sem interseção.
Éramos quase crianças, hoje, somos realmente adultos.
Nossos encontros
são solidões não admitidas.
O diálogo esvaiceu, a admiração se foi.
Ficou as críticas, e a vontade
de que o outro seja diferente.
Talvez, estejamos com medo de admitir
que não somos mais.
Admitir que os sentimentos são passageiros
e que as promessas não são eternas.
Admitir que as diferenças vencem
e que os encontros acabam.
Talvez, estejamos com medo de nos perguntar:
como seria a minha vida sem você?
Com medo da resposta nem a fazemos.
Estamos com medo de olhar o presente,
como crianças que tem medo de ser adulto.
Como um adulto com saudade de ser criança.
Mas não é pra isso que serve a infância, nem os encontros.
A infância é assim
um dia acordamos
e descobrimos
que ela não está mais aqui
ficou num mar de lembranças.
E em ondas traz dentro das garrafas, mensagens pra ficarmos com saudade.
Talvez este seja o nosso melhor destino.
Talvez.
Se assim for, que seja de lembranças boas.
Por favor, coloque o ponto final quando para isto lhe for preciso.