segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ida

Eu vou para aonde as pessoas não tenham receiode mostrar o que quereme viver o que sentem...Ai, é do lado de Pasárgadao lugar da minha gente.Vou para lá.Vou-me embora e me esquecerei lásem lembrar da saudadede voltar.Peguei um submarinovermelhoe eu não sei aonde ele vai me deixar...Não tenho mais solonão tenho mais arfiquei largada em algum mar.Até quando não vou afundar?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Livre destino

SOU MULHER.

Meu corpo não é mais de menina.
Sou uma necessidade concreta
de um processo
em penetração.

De um corpo movido, desejado
transpirado
um
corpo vivido.

Não sou dúvida, ou suposição
sou entrega, confiança
gozo e suor.
Sou olhar, boca
incessante desejo.

Meu sexo real
não é na ficção.
Minha amizade é filosofia
e valores
que na minha pele transpiram.
Não sou superfície.

Isto é o que sei
a única coisa que sei.
É lindo a nossa poesia
mas eu preciso que
a minha pele
viva.


Ai, vida
por onde deixastes
minhas utopias?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pensamento do dia

Algumas pessoas precisam
de um gesto ou uma atitude
outras precisam de um
banner.

Casca

Rótulos rótulos
Por que existe?
Por que me persegue?
Por que me cria?

Não necessito de ti
não quero um parasita
que estraga meu corpo
e a minha alma danifica.

Quero sonhar sem ser
poder estar por sentir.
Ir sem você

para ser algo de mim.

Ai, rótulo não me mude

não quero acreditar em ti
não quero precisar de ti
quero seguir livre
para pensar sem pensar
para sentir sem pensar
para ser eu
sendo outro em mim.

Quero o que me adentra
me acorda
e me faz gemer.
Sem flash, sem máscaras
sem nada.

Poder inspirar
os detalhes
infiltrados em mim.
Esquecer o meu ex

e esquecer-me no meu in.

Quero poder
ter sempre
a força para
gritar.

Concreto de areia

Somos um tudo
que se refez
numa forma sem forma
num vazio aparente
de um transbortar ardente.

Somos olhares
silêncios
vontades de um
primeiro beijo.

Toque, cheiro
a tua mão apertando a minha pele
me desejando
me pressionando
me perfurando
como mulher.

Do confronto de línguas
o encontro
do desejo de nos termos.
Tudo nos impede, nos repele
menos nossos
pensamentos.

O desejo não se fez em toques
nem palavras
mas em silêncios.

Aos outros, um nada
uma curiosidade.
Aos gestos, um tudo:
fogo no peito
ventania na sala
vinho derramado
tapete molhado.
Quero acordar ao seu lado.

Farelo

Perdi-me no moinho
o trigo não saiu
meu esforço foi em vão.

Pelas ventanias andei
na direção dos meus sentidos.
Algo me aperta, me amedronta
me distancia.

A cada passo, um empurrão
a cada grito
um silêncio, uma falta de carinho.
Aonde está o amor que vivi?

Eu procurei o que o peito esmagou
as correntes apertaram minhas costelas.
Estou com falta de ar
a boca resseca
o estômago repele a ausência permanente.

Ainda sou mulher?

Aonde estão os meus desejos
aonde foi parar a minha ânsia de ser feliz.
Deve estar em algum lugar, distante de mim
moído no moinho
o trigo não se fez.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Infância

Na vida, nada se esquece
ou se esvazia ou aos poucos se perde.


O herói nasceu
antes da criança.
Socorreu toda a família, aliviou o stress
animou a casa
e encheu o lar de simpatia.
Um sorriso alegre e sapeca
a andar pela sala
com sua moto amarela.
Enquanto a mãe estudava
era mimado por todos
pintado com bolinhas vermelhas
na cara
e enfeitado com faixa na cabeça
que nem um índio valente.
A pequena luz nasceu
diferente.
Não era nenhuma heroína
a menina todos já sabiam
que teria problemas.
O corpo pintado em duas cores
o cabelo puxado do pai
enquanto o desejo de todos
era ser igual a da mãe.
A menina nasceu contrariando
a vontade de todos
com cara emburrada e gordinha.
O herói não ligou para os outros
e brincava sempre com a menina
eles eram a dupla de palhaços:
a gorda e o magro.
Era linda aquela relação,
se um acordava
acordava o outro também.
Dormiam só de mãos dadas,
Eram mão e luva.
O herói levava a menina para escola
e lá não esquecia dela
enquanto na sala era vivia sozinha
no recreio, ele era sua companhia.
A menina aprendeu a sorrir
em tamanha alegria e segurança.
Sabia que nunca estaria sozinha.
Nada foi fácil naquela família.
Os pais não tinham dinheiro
e as crianças viviam quase todo o dia
com os avós.
A menina chorava escondido
no cantinho
de saudades da mãe
e depois ia dormir
querendo preencher seu vazio, com seus sonhos.
sonhava com uma terra
sempre colorida, cheia de mato
e animais
vacas para colher leite
e cavalo para pular cercas.
Tinha rio, tinha piscina, tinha cachoeira.
Tinha jabutica, nespeira e lobo mau também.
Quando ele aparecia, o caseiro da casa pegava sua espingarda
e o lobo ficava bem longe
a olhar.
Ninguém nunca conversou com a menina
o que ele fazia
ela só sabia que pelo mato
tinha um lobo a esperar.
Um dia passeando com sua tia
a menina passou do lado do lobo
ele estava fantasiado
mas a menina e a tia
sentiram que aqueles olhos eram olhos para farejar.
Colocaram um sorriso na cara
e uma desconfiança
nos olhos.
O lobo passou, esperando a menina e a tia virarem a cara
mas elas não viraram
e encararam o lobo até o final da estrada.
Os lobos são covardes
e apesar de ser maiores
só atacam quando estamos com medo.
Neste dia, o herói
não estava.
Como em muitos outros dias, não esteve.
Depois que ele perdeu a alegria
na face, nunca mais foi o mesmo.
Ele acreditava num mundo tranquilo e de paz
mas um monstro um dia apareceu
e o atacou por trás.
A menina viu tudo.
Viu, exatamente, o dia que o seu herói morreu.
Nunca mais os dias foram de paz.
A gorda e o magro desapareceram.
O herói quis ser monstro no mundo fora dos sonhos.
A amizade prevaleceu por um tempo
até que
uma noite
comum de brincadeira
o herói narrou a sua primeira monstruosidade.
Foi aos 7 anos
que a menina começou a
perder
a sua verdadeira inocência.

Tinha acabado sua infância.