sábado, 26 de julho de 2008

Liberdade

“onde a vida é de sonhar, liberdade”. (Marcelo Camelo)

Com você eu vou
Para lugares até aonde a velhinha
Pode me olhar
Beijando você.

Com você me sindo mais segura
Me expondo mais.
Você tão corajoso me deixa mais forte
E mais covarde.
E eu vou te seguindo de braços dados
Até o mercado.

Depois da minha rua, te dou um abraço
De namorados.
Para os outros, grande amizade
Para nós:um peito estufado.

Grande exposição, falta de privacidade
Rejeição.
Na entrega, a luta pela minha liberdade.
Que é só minha...minha luta
De verdade.
Isto é o que sou.
O resto é dor, e medo
Dos outros.

Basta-me viver, o que posso viver
de carinho, e
amor.
Pedindo, para sempre,bis.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Desejos

Enquanto você vagueia pelos meu lábios
procurando meu ser
eu fico aqui
de olhos fechados
e sozinha.

Enquanto a onda briga com os grãos de areia
e se infiltra nelas
eu estou a te olhar
e a caminhar, enquanto me observas
ao longe, no calçadão.

Quero ter-te de novo
e esquecer o tempo em seus braços
enquanto achas meu corpo nu.

Quero...porque ainda te desejo
mesmo em nosso acordo indefinido
e impossível.

Porque as palavras frias me matam, aos poucos
e as medíocres não salientam nenhum desejo
em meu corpo vil cotidiano
Quero o calor de sua boca e sua palavras indignas
que meu corpo em febre
nem consegue agüentar.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Vazio

Queria poder chegar em você
Como chego em todos os outros.
E falar com você, só por falar
Sem querer ficar mais.
Queria que seu cheiro não ficasse em minhas roupas

e em minha memória.
Queria... entre todas as coisas
não temer mais.
Mas há muito tempo tenho visto,
Que nem tudo faz sentido.
Porque mesmo te querendo
Não confesso,o quanto sinto.
Paciência.
Um dia, eu aprendo com minha solidão
E prepotência
Que tudo que não fiz, foi uma grande perda de tempo.

sábado, 5 de julho de 2008

Procuras e perdas

No fundo, toda procura é uma ato solitário;
e a perda ou é fruto da necessidade ou da estupidez.
Nesta vida, quanto mais se aprende, mais se descobre que a felicidade não vem de fora. Ela estava começando a aprender essa lição, de tanto caminhar solitária pela sala.
Estava extremamente cansada,quando ouviu o portão se abrir. Desligou as luzes, e foi rapidamente até o quarto sem fazer barulho.Entrou debaixo do cobertor, e ficou lá, aparentemente dormindo. Aos poucos, o espaço foi ganhando um novo ruído, além da sua respiração. E a cama ficou com mais peso.
Ficou um bom tempo, sem ter coragem de virar seu corpo para vê-lo. Esperou até perceber que ele estava dormido. Então se virou, e pegou seu corpo docemente, como se fosse por direito seu. Um rio ganhou força, e saiu sem vontade pelos afluentes dos seus olhos. Nos cabelos do peito dele, ela ficou, e se perdeu coberta pelo cheiro do sexo da outra.
Porque o amava, se virou. E não o olhou mais. Dormiu.
Quando acordou, ele já tinha ido. Iria voltar, como sempre, para seu espaço garantido.
No amor deles havia estradas de mão única. E ela já estava cansada de ficar tantas vezes caminhando sozinha por elas, enquanto ele saia para o deserto à procura de outros caminhos.
No fundo, ela queria ser igual a ele. Conseguir esquecê-lo, nem que fosse uma vez. Ela ia tentar, precisava tentar. Era sua forma de se amar, negando-se, negando o seu amor. Talvez assim, conseguiria estar perto dele, sem julgá-lo novamente.
Tentou.
O primeiro passo, quase sem força, saiu por uma vontade inventada do caminho sólido, e pisou na areia sem forma. Ficou uma primeira pegada, e aos poucos, outras foram se formando.
Andou sem rumo, mas firme até que ouviu, um dia, ecos. Uma curiosidade brotou em seu peito e resolveu seguir, mesmo com medo, esses ecos...
A estrada ficou distante. E um dia, quando olhou para trás não a via mais.
Não ouvia mais o portão se abrindo.
E ele ficou só, com seu peso na cama.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Primeiro-Passo

"Um beijo doce numa suave pele pétala"

Para quê serve a rosa?
Para se conseguir outra rosa.
Para quê serve o beijo?
Para se manter a utopia de amar.
E a utopia?
Para se ter sempre algo a alcançar.
Para quê serve o amor?
Para aprender a viver.
Porquê eu quero você?
Para completar o meu ser.
E se eu tiver você?
O dia vai ter mais beleza em nascer.

domingo, 22 de junho de 2008

Levaram mais um anjo

À noite, quando a estrela brilha mais forte
é porque os sinos tocam
clamando por um grande evento.
Um beijo carinhoso, um sorriso lindo
um adeus - até logo.
Quem ensina o sorriso, faz um caminho
sem fim de alegria...
As flores perfumam o jardim
em agradecimento, como boas aprendizes.
Mas mesmo como boa aprendiz, todo mestre sabe
que perto ou longe, ele sempre vai está
nos erros, pra ela lembrar de tentar novamente
ou nos acertos, como um graças a Deus.

Boa sorte, no seu novo caminho a trilhar.Até.

sábado, 14 de junho de 2008

Entre o silêncio e a entrega

Um cachorro tem um apelo magnífico por um estranho carinhoso, e das lembranças, o cheiro do homem ficará sempre em seu faro. Quando sentir o perfume amigo novamente, seu corpo balançará e deixará receber todo carinho, pedindo-o. Mas no meio do encontro saberá também demonstrar o apreço que tem: cabeça esfregada nas pernas, lambidas, latidos, mordidas que só ele consegue fazer sem machucar; é tudo muito primitivo, mas é este o seu instinto, porque é próprio da alma viva e alegre, saber sentir, dar e receber amor.
...
...
De tudo nesta vida que há, muito se tem de inventado.
Silêncios tornam-se amargos, na covardia que se estende por trás.
É que correr riscos, ninguém quer mais. Mas se há de compreender,
porque de riscos dificilmente se sai ileso.
Contudo, qual graça há em viver uma vida sem graça, sem aventura?
Não se confunda, e não minta pra ti, acreditando que não ter briga
é estar em paz.
Se é que há esta paz, que os beatos correm atrás.
Se o jardim está silencioso, estranhe se há muito tempo está a balançar na cadeira
sem que niguém lhe tenha chamado.
É só olhar, por sua janela gradeada, o andar apressado das pessoas
com medo de outras pessoas.
São cães que não têm focinheira, e que podem matar; por isso, ande armado
pra de surpresa não ser pego.
Mas daqui da janela, se vê algo mais. Que homens não nascem cães.
E dores e machucados, todos tem, só que há gente que tem a mais.
Há de se entender? Entrar nesta vida já chorando, com saudade ou medo do que se pode ganhar, nesta terra, já tocada e regada de sangue, que esses são frutos também de nossos avós.
E talvez, entremos a andar nela, sem fazer algo de muito diferente.
É só olhar o jornal, dobrá-lo e deixar o rio vermelho passar pela sala.
Rio de afluentes infanto-juvenis, que desde de pequeno é tomado como grande, só porque
aos 7 já tem que colocar comida dentro de casa.
E de onde vieram, reclamam suas origens, como que se delas não tivessem sido paridas.
E com medo, o pequenino afluente já resolve tomar seus próprios rumos.
Do jardim, tudo é paraíso. Da janela, se vê um grande inferno.
Andar nele, não é muito uma escolha safa. Mas de safos um mundo bom não têm.
E lá fora não é muito diferente do que sinto aqui dentro.
Entre os sons estridentes, ouço meu coração abafado e enclausurado no meu peito de fácil acesso.
Que ganha aos poucos medo de ser encontrado, outra vez.
O cristal sai espatifado depois do seu encontro com o tijolo.Algo pior? Um olhar estático, desmotivado, pelo desencontro das palavras com o sentimento preenchido dentro.
Nesta vida já se entra perdendo e querendo colo de mãe.
Em todos, os bons são quem machucam mais.
Dos maus não se espera nada, e nada de ilusão se tem pra confiar.
Mas quando machucado se está, começa-se a duvidar que caminho se tem a tomar, nesta roseira, sem se machucar.
Este caminho não há.
Da beleza e doçura da rosa se brota todo um encanto, mas é seu caule com espinhos,
que faz o vermelho orgânico brotar de ti.
De todos, há algo de bom e mal; felizmente ou infelizmente.
Pois se há decepção nisto; se te achavas realmente muito bom, verás que não és assim.Infelizmente.
Mas se de muito lhe têm falado, que não prestas, e está sempre a ver isto em ti; notarás algo novo, que muito de mentiras tem os outros, também. E não és tão mal assim.Isso já é o ínicio que precisavas, pra trilhar seu caminho e escolher qual dos dois passos quer deixar mais forte na terra.
E começando a caminhar, tentará correr, pelo tempo perdido pela espera de algo. Não faças isso, que de tudo nesta vida se é adaptado, e o tempo e a experiência se ganha ou se perde passo por passo. Paciência.
Aos poucos, notará que não estará sozinho. E por um momento ficarás feliz por isto. Mas poderás ficar receioso de ser machucado.
Mas quem está ali, há de estar ali andando há tanto tempo na sua frente, que já terá passado pelos perrengues que você passou, somente parou, por se cansou de estar tanto tempo sozinho a caminhar, e viu que não eras tanto tempo pra ti esperar.
Vocês se encontram, e sem palavras, criam um novo contrato.
Com sentido só para os dois.
Caminham lado a lado: o homem e o cachorro .
O tempo vai passando e o cachorro pacientemente vai deixando a língua pra fora, enquanto o homem caminha com o peito erguido, mas por dentro muito caído. Até que se cansa de demonstrar, e pára, vencido pelo cansaço.
O companheiro pára também, e fica ali ao lado, rindo silenciosamente pelo orgulho do companheiro.
E descansa junto e relaxadamente. Porque da vida, já está a muito tempo acostumado.
Com o descanso, começa novo caminhar, e o homem anda com esse sábio vizinho que há.